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domingo, 5 de abril de 2009

Grande Mancha Vermelha de Júpiter está encolhendo, afirma estudo

Análise mostra que tempestade perdeu 15% de seu diâmetro em dez anos.
Segundo cientistas, mancha oval pode se tornar circular por volta de 2040.

Do G1, em São Paulo

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter, a marca registrada do planeta desde que foi descoberta, 400 anos atrás, está encolhendo. A constatação é de um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA.

Foto: Nasa

Júpiter e a Grande Mancha Vermelha, fotografados pela sonda Voyager 1 (Foto: Nasa)

De acordo com os resultados, aceitos para publicação no períodico científico "Icarus", a mancha encolheu em largura cerca de 15% entre 1996 e 2006 -- uma taxa de um quilômetro por dia, segundo os cientistas.

Por um lado, o resultado não deixa de ser surpreendente: afinal, a Grande Mancha Vermelha é resultado de uma turbulenta tempestade na atmosfera de Júpiter que tem se mantido por pelo menos quatro séculos, e possivelmente mais.

Por outro lado, como todas as tempestades, essa é uma que também pode chegar ao fim no futuro.

Os cientistas não dão prazo para a extinção da mancha -- afinal, é um fenômeno largamente imprevisível --, mas dizem que ela pode se tornar circular, em vez de oval, por volta de 2040.

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sábado, 6 de dezembro de 2008

Cientistas transformam células-tronco de gordura em células musculares

Descoberta pode auxiliar tratamento da distrofia muscular.
Gordura é um material rico em células-tronco adultas.

Do G1, com informações do Jornal Nacional


Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) fizeram novas descobertas sobre o poder das células-tronco. Testes em laboratório tiveram resultados surpreendentes em relação à distrofia muscular.

Veja o site do Jornal Nacional

A matéria-prima da descoberta veio daqueles pneuzinhos indesejados e eliminados com lipoaspiração em clínicas de cirurgia plástica. A gordura posta de lado virou material de pesquisa nas mãos de cientistas. Material rico em células-tronco adultas, que têm a função de fazer pequenos reparos em determinadas partes do corpo. Elas são capazes de se transformar em células ósseas, de cartilagens e também em células musculares. Mas o mecanismo que dispara a ordem de transformação destas células dentro do corpo ainda é desconhecido.

Depois de quase um ano de tentativas, os cientistas conseguiram transformar as células-tronco da gordura em células musculares humanas no corpo dos camundongos. E junto com elas, veio também um resultado impressionante.

Os camundongos tinham distrofia muscular, uma doença genética grave que afeta a força dos músculos aos poucos e que ainda não tem cura. Um camundongo que não recebeu células-tronco, por causa da distrofia muscular, não conseguia se segurar no arame e caía.

Já o camundongo que recebeu as células-tronco de gordura se agarra com firmeza ao arame. As células de gordura viraram músculos que funcionam.

Para a coordenadora da pesquisa, Mayana Zatz, a descoberta é um passo importante na direção do tratamento da distrofia muscular. “A chave é a gente descobrir e poder controlar totalmente esse processo. Só aí é que a gente vai ficar seguro de injetar. Eu acho que se essas experiências que estamos testando agora derem certo, a gente pode pensar talvez em dois ou três anos começar ensaios clínicos em pessoas”, acredita Zatz.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Aquecimento global ‘expulsará’ 483 mil do Nordeste até 2050, diz estudo

Cientistas projetaram a futura economia, saúde e migração da região.

Investimentos atuais poderiam melhorar a qualidade de vida até lá.

Isis Nóbile Diniz Do G1, em São Paulo

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A notícia não é boa para a região Nordeste do país nesses tempos de mudança climática. Segundo um novo estudo, até meio milhão de pessoas deixarão os estados nordestinos daqui até 2050. A migração deverá ser conseqüência de agricultura e pecuária cada vez menos viáveis, com o aumento das temperaturas. O que deverá afetar a economia e a saúde, primeiramente, da própria população local. E, em seguida, de todo o país.

 

Os pesquisadores analisaram o impacto do aquecimento global no Nordeste tomando por base os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês). Os relatórios desse órgão da ONU costumam apresentar diversas projeções, com base em diferentes níveis de reação dos países ao aquecimento global. Da mesma maneira trabalhou o estudo brasileiro, que trabalhou com dois cenários. No mais pessimista deles, cerca de 483 mil pessoas deixariam o Nordeste rumo a outras regiões do país até 2050. De acordo com essa projeção do pior cenário, a temperatura média para a região do Nordeste deverá subir quatro graus Celsius até 2070.

 

O estudo “Migrações e Saúde, Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050”, financiado pelo Global Opportunities Fund (GOF), por meio da Embaixada Britânica no Brasil, mapeou essas conseqüências sociais e econômicas das mudanças climáticas sobre a região.

Foram quase dois anos para analisar as questões econômica, de migração e saúde pública. A conclusão é que as áreas mais dependentes da agricultura e da agropecuária serão as mais afetadas. Conseqüentemente, as populações atingidas serão os grupos social e economicamente vulneráveis. Como, por exemplo, pequenos produtores agrícolas que não dispõem de bens de produção ou mecanismos de adaptação.

 

Industrialização

Quanto mais industrializado o estado, menos seus habitantes sofrerão com a mudança climática -- como é o caso da Bahia. Por outro lado os estados mais dependentes da agricultura, como o Maranhão, o Piauí e Alagoas, serão mais afetados.

“A desigualdade social poderá até piorar”, diz Edson Domingues, um dos pesquisadores e professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Nós não tínhamos idéia de como a mudança climática afetaria o local, pois não temos exemplos passados”, diz

Nesse momento, uma série de problemas serão recorrentes. “Haverá um impacto econômico muito forte no setor da agricultura, que levará a redução de renda, emprego e do PIB do local”, diz Alisson Barbieri, um dos coordenadores do projeto e professor de demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso levará a uma queda acentuada do consumo das famílias, em comparação com as demais regiões do Brasil.

No primeiro instante, as pessoas sairão das zonas rurais em direção às capitais nordestinas. Depois, seguirão rumo à Amazônia -- quem vive perto dela -- e ao Sudeste e Sul. Ao chegar sem qualificação nas cidades, é possível que tenham dificuldade em conseguir empregos.

Em seguida, o Sistema Único de Saúde será sobrecarregado. Somado às condições sociais e financeiras, em 2050 um terço da população brasileira terá mais de 60 anos. O que demanda mais cuidados com a saúde.

 O passado e o futuro


Será que existe uma semelhança entre migrações do Nordeste que aconteceram para a região Sudeste no passado? “Pode haver semelhanças, mas o movimento histórico ocorreu devido à estagnação do Nordeste e o crescimento acelerado do Sudeste; agora o problema está relacionado à mudança climática”, conta Domingues.

Apesar de o estudo ter focado na região Nordeste, o impacto será sentido em todo o país. “Por exemplo, será inviável plantar café no sul de Minas Gerais. Mas o Rio Grande do Sul poderá se beneficiar dessa nova colheita”, explica Domingues. Além disso, o Sudeste e o Sul possuem suas economias também estabelecidas na indústria, o que diminui o problema direto decorrente das alterações climáticas.

O problema relatado pelos estudiosos parece uma “bola de neve” que devastará o Brasil inteiro. Mas existem soluções. “Para mudar essa futura situação, é necessário investir agora em algumas adaptações”, conta Barbieri. “Isso implica novas tecnologias, cultivos mais resistentes ao calor e captação de recursos hídricos para o Nordeste”, diz. Inclusive, em preparar as áreas urbanas para absorver e minimizar problemas com a saúde.

“Com esse estudo esperamos que sejam criadas políticas públicas para atenuar o problema”, afirma Domingues. Afinal, a outra solução demanda esforço global e não apenas brasileiro: diminuir a emissão mundial dos gases de efeito estufa.

Para realizar o estudo, pesquisadores construíram um modelo demográfico que engloba fecundidade, mortalidade e migração da população em todo o Brasil. Incorporaram os efeitos das variáveis econômicas dentro dos cenários de mudanças climáticas. Por fim, quantificaram a vulnerabilidade nordestina na área da saúde e o impacto no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Desigualdades internas

 

O impacto econômico das mudanças climáticas no Nordeste será de 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2050. Essa perda equivale a, aproximadamente, dois anos de crescimento da economia da região. As áreas com mais problemas para a plantação estarão nos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco. Os que mais sofrerão devido à diminuição no PIB serão Pernambuco, Paraíba, Piauí e Ceará. O menos atingido será Sergipe, pois possui terras mais férteis. Apenas 93 municípios nordestinos apresentarão consumo familiar maior do que a média nacional.

Existem dois processos distintos de fluxos migratórios previstos para ocorrer até 2050. Entre 2025 e 2030, os nordestinos deverão recorrer às próprias capitais. Isso porque o cenário prevê um impacto das mudanças climáticas relativamente maior nas regiões Sul e Sudeste nesse intervalo de tempo. A partir de 2035, quase meio milhão de habitantes deixarão a região, principalmente, rumo às capitais metropolitanas nordestinas. O processo de migração deve ser maior a partir das regiões metropolitanas do Recife, de João Pessoa e de Teresina. As cidades de Salvador e São Luís provavelmente perderão população para a Amazônia.

Os municípios com perdas populacionais significativas causadas pela migração até 2030 estão localizados no estados da Bahia, do Maranhão e de Pernambuco. Ganhos populacionais deverão ocorrer no Nordeste central -- Piauí, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte -- e no noroeste da Bahia. A partir de 2035, a predominância será a da emigração municipal em todo o Nordeste. Haverá um processo de perda de população em quase todo o Semi-Árido e Nordeste Setentrional. As exceções se localizarão no Sergipe, no norte e no sul do Ceará, no norte e sudeste do Rio Grande do Norte e em municípios do centro e do norte do Maranhão.

Apesar do pequeno crescimento populacional previsto para o nordeste e a baixa expectativa de vida -- devido às altas taxas de mortalidade infantil --, a pouca cobertura de saneamento básico registrada no Nordeste indica o potencial problema de saúde que pode ser agravado pelos impactos das mudanças climáticas. As estimativas levam em conta o grau de vulnerabilidade para doença de Chagas, dengue, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e esquistossomose, além de dois indicadores da qualidade da saúde infantil -- mortalidade por diarréia e desnutrição. Ceará e Pernambuco serão os estados com maior vulnerabilidade.


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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mulheres 'têm mais pesadelos que homens', diz pesquisa

Estudo revelou que mulheres tendem a sonhar mais com eventos traumáticos.

Da BBC

As mulheres têm mais pesadelos e mais sonhos emotivos do que os homens, segundo pesquisadores britânicos.

Em um estudo conduzido por cientistas da University of the West of England, 170 voluntários tiveram de registrar seus sonhos mais recentes. Dezenove por cento dos homens afirmaram ter tido pesadelos, comparados com 30% das mulheres. A pesquisadora Jennifer Parker disse que não houve diferença no número total de sonhos registrados por homens e mulheres.

Outros estudos já mostraram que as mulheres tendem a ter um sono mais interrompido do que os homens.

Um fator que pode estar por trás disso são as mudanças que acontecem na temperatura do corpo da mulher durante o ciclo menstrual.

Segundo Parker, já era sabido que mulheres têm sonhos mais vívidos e perturbadores antes da menstruação.

"O resultado consistente registrado nesta pesquisa foi que as mulheres têm sonhos mais desagradáveis do que homens", disse Parker.


Traumático

As mulheres que participaram do estudo registraram mais sonhos sobre eventos traumáticos, como a perda de uma pessoa querida.

"Em termos de processar a informação emocional, as mulheres têm mais tendência a levar problemas não resolvidos para o seu sono", afirmou Parker.

Chris Idzikowski, diretor do Edinburgh Sleep Centre, disse não ter ficado surpreso com o fato de a pesquisa ter revelado uma diferença entre homens e mulheres, mas afirmou que é difícil saber se as mulheres estão mesmo tendo mais pesadelos ou simplesmente se lembrando melhor deles.

"O sono das mulheres tende a ser mais interrompido, e elas têm mais insônia. E o fato de elas acordarem com mais freqüência pode fazer com que elas se lembrem mais do sonho. Mas também pode ser que o sono interrompido esteja contribuindo para o aumento de uma sensação de medo", afirmou.

Idzikowski disse que pesadelos são provavelmente muito mais comuns do que as pessoas percebem já que são, geralmente, rapidamente esquecidos.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Plataformas de gelo no Canadá perderam 23% da área

Plataforma de gelo canadense encolhe 23%

Área de 214km² corresponde a três vezes o tamanho da ilha de Manhattan (Nova York).


Da BBC

As plataformas de gelo localizadas na costa norte da ilha Ellesmere, no Ártico canadense, perderam 23% de sua área apenas neste ano, segundo informações da Universidade de Trent, no Canadá.

Os desprendimentos de blocos de gelo que ocorreram neste ano totalizaram uma perda de 214 km² da área das plataformas - mais do que o triplo da área da ilha de Manhattan.

A plataforma de Ward Hunt, a maior do Canadá, perdeu 40% de sua área, enquanto a geleira Markham, de 50km², desprendeu-se completamente da ilha e está à deriva no Oceano Ártico. Dois blocos de gelo também se desprenderam da plataforma Serson, reduzindo sua área em 60% (122km²).

Para o pesquisador Derek Mueller, essas perdas ressaltam a rapidez das mudanças que estão ocorrendo no Ártico e alertam para o impacto do clima na região.

"Essas mudanças são irreversíveis nas condições climáticas atuais e indicam que as condições ambientais que mantiveram essas geleiras em equilíbrio durante anos já não estão mais presentes", disse Mueller.

Temperatura

Segundo os pesquisadores, a redução do gelo do mar e as altas temperaturas contribuíram para o desprendimento dos blocos no primeiro semestre deste ano.

As plataformas de gelo da ilha Ellesmere são remanescentes de uma grande área de gelo de 10 mil km² que circundava a ilha.

Os registros mostram que esta região do Pólo Norte - a costa norte da Ilha Ellesmere - perdeu 90% de suas plataformas de gelo no último século e no início deste ano cobria uma área de 1 mil km².

A maioria dessas perdas ocorreu no período mais quente da década de 1940. Nos períodos mais frios das décadas seguintes, parte das plataformas de gelo mostrou sinal de estar se reformando.

A perda de gelo no Ártico tem implicações globais. O "guarda-sol branco" na superfície do planeta reflete a energia do Sol, ajudando a controlar a temperatura da Terra.


Caso ocorram ainda mais perdas, a radiação pode passar a ser absorvida pela água escura do mar e pela terra não coberta pelo gelo, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento do planeta.


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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Islã medieval era superpotência científica, dizem especialistas

Muçulmanos avançaram na matemática, astronomia e medicina.
Razões de declínio após século 16 dividem os historiadores.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

Manuscrito de Ibn Sahl descreve a lei da refração da luz, ou lei de Snell, um dos fundamentos da óptica (Foto: Reprodução)

Uma sociedade multicultural, relativamente tolerante, na qual especialistas de todo o mundo civilizado trocam informações, formulam teorias ousadas e desenvolvem novas tecnologias. Bem-vindo ao Islã durante a Idade Média - uma cultura que deixava a Europa no chinelo em matéria de ciência. Ainda há debates sobre como os domínios muçulmanos viraram superpotências científicas do século 8 ao século 15 de nossa era, e também sobre as causas de seu declínio superior, mas é indiscutível que eles deram passos fundamentais para alicerçar a ciência que até hoje é praticada no Ocidente.

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“Nesse período, floresceu no mundo islâmico uma ciência com contribuições originais em várias áreas do conhecimento, sobretudo em matemática, astronomia e afins, e sem rival durante muitos séculos”, escreve o pesquisador português João Filipe Queiró, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. “No milênio a seguir ao século 8 estão identificados mais de mil cientistas islâmicos ativos. Como fontes, conhecem-se milhares de manuscritos e instrumentos científicos, mas muitos mais permanecem ainda hoje por analisar, ou sequer por catalogar”, afirma Queiró.

A explicação inicial para o avanço científico do Islã é militar. Após a morte de Maomé, que consolidou o domínio muçulmano na Arábia no século 7 da Era Cristã, o avanço dos exércitos islâmicos tomou conta de grande parte dos antigos centros de cultura do Velho Mundo, da Índia, no Oriente, às terras gregas do Império Bizantino, chegando até a Espanha, no Ocidente.

Com isso, os guerreiros do Islã se viram senhores de toda a herança cultural e científica dessas áreas. Mas, no lugar de substituí-la por sua própria cultura, eles iniciaram um intenso processo de assimilação, traduzindo para o árabe grande parte do legado dos filósofos, matemáticos e protocientistas gregos e indianos, por exemplo. Acredita-se que muitos textos da Antigüidade grega só sobreviveram porque, quando os cristãos reconquistaram a Espanha muçulmana, retraduziram essas obras do árabe para o latim.

Números práticos

Mais importante ainda, no entanto, foi o papel que o Islã desempenhou na transmissão do sistema numérico indiano, com os algarismos que conhecemos (de 0 a 9), para o Ocidente. Antes, era preciso literalmente usar letras (os numerais romanos ou gregos) para fazer contas, um método incômodo que, além de tudo, não contava com o número 0. Como a matemática tornar-se-ia a base de todo o desenvolvimento da ciência nos séculos seguintes, os pesquisadores muçulmanos podem ser considerados os responsáveis por lançar a pedra fundamental desse processo.

E, falando em “algarismo”, nunca é demais lembrar que a palavra, assim como “algoritmo”, deriva do nome de Mohamed ibn Musa al-Khwarizmi, pesquisador da Era de Ouro islâmica que nasceu no atual Uzbequistão no 780. “Álgebra” também deriva de al-jabr, presente no título de uma das obras de al-Khwarizmi, conta Queiró. “A expressão significa algo como ‘reconstrução’, e refere-se à operação de adicionar uma mesma quantidade a ambos os membros de uma equação”, afirma o pesquisador português.

Fundadores de observatórios astronômicos e universidades, os governantes islâmicos também impulsionaram avanços na astronomia e na cartografia, alguns de natureza prática diretamente ligada à religião muçulmana. “É o caso da determinação, em cada local, da qibla, a direção sagrada de Meca, necessária para as orações e para a orientação das mesquitas. Esse problema é muito interessante do ponto de vista matemático”, escreve Queiró.

A questão é complicadinha porque é preciso levar em conta o formato de esfera da Terra, o que impede que a direção de Meca vista a partir do Brasil, digamos, seja apenas uma linha reta. Usando trigonometria e geometria esférica, os pesquisadores do Islã aprenderam a contornar o problema. No século 16, navegadores portugueses usaram os escritos muçulmanos para corrigir seus cálculos e conseguir viajar do Recife a Lisboa, por exemplo.

Os pesquisadores do Islã também tiveram avanços consideráveis na óptica (foram os primeiros a descrever corretamente o fenômeno da refração, ligado à mudança do comportamento da luz ao passar do ar para a água, por exemplo) e na medicina. Foram pioneiros ao afirmar, por exemplo, que a visão era processada pelo cérebro a partir da luz que chegava até os olhos (antes, achava-se que os olhos ativamente “lançavam raios” até os objetos para enxergá-los).

Por que parou? Parou por quê?

É um bocado difícil explicar por que esse desenvolvimento todo acabou diminuindo a partir do século 16, enquanto o Ocidente avançou. Para o físico americano de origem turca Taner Edis, que trabalha na Truman State University (EUA), a explicação mais provável é que a revolução científica não teria sido completa no Islã. Ele diz que, nos domínios islâmicos, é mais correto falar em “protociência” na Idade Média. “Eles misturavam ciência de verdade com crenças um bocado esquisitas em alquimia, por exemplo”, disse Edis à revista eletrônica Salon.

Para ele, o que faltou foi a separação total entre instituições religiosas e científicas no mundo muçulmano, que deu liberdade de pesquisa para os cientistas do Ocidente. O debate entre os especialistas sobre o tema, no entanto, ainda prossegue.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Perfume na gravidez pode afetar fertilidade de bebês

O uso de perfumes ou cosméticos perfumados durante a gravidez pode aumentar o risco de infertilidade entre bebês meninos na vida adulta, segundo uma pesquisa da Universidade de Edimburgo.

»Fertilidade "é decidida no útero"
» Soja pode afetar fertilidade do homem
» Relógio biológico pode afetar a fertilidade de homens

Segundo os pesquisadores da Unidade de Reprodução Humana do Conselho de Pesquisa Médico, há uma janela crucial entre a oitava e a décima-segunda semanas de gestação que determina futuros problemas reprodutivos em meninos.

Os cientistas acreditam que a exposição a algumas das substâncias químicas encontradas em cosméticos durante este período pode afetar a produção de espermatozóides no futuro, mas eles afirmam que os resultados não são conclusivos.

O estudo, liderado por Richard Sharpe, será apresentado em um simpósio sobre reprodução humana nesta semana, em Edimburgo.

Câncer testicular
Durante experiências com camundongos, os médicos bloquearam a ação dos androgênios - substâncias que incluem os hormônios masculinos e promovem a masculinização - e confirmaram que os animais sofreram problemas de fertilidade.

Algumas das substâncias que podem bloquear esses hormônios são amplamente usadas na produção de cosméticos, tecidos para decoração e plásticos.

Segundo Sharpe, as substâncias também podem aumentar o risco de bebês do sexo masculino desenvolverem outros problemas reprodutivos na vida adulta, como câncer testicular.

Ele acrescentou ainda que as mulheres que estiveram planejando engravidar devem evitar o uso de cosméticos que poderiam ser absorvidos pelo corpo.

"Há vários componentes em perfumes que nós sabemos que, em alta concentração, têm potencial de provocar efeitos biológicos, então, para ser ultra-seguro, podemos dizer que, ao evitá-los, seu bebê não sofre risco", disse Sharpe.

"Se você planeja engravidar, você deve mudar seu estilo de vida. Essas coisas de estilo de vida não significam necessariamente que você vai causar danos terríveis ao seu bebê, mas ao evitá-las, você terá um efeito positivo."

"Não é porque temos provas de que esses componentes, categoricamente, causam danos aos bebês, é que estudos experimentais em animais que sugerem essa possibilidade", explica Sharpe.

Mas o médico admite que as mulheres estão expostas a muitos desses componentes químicos por outras vias, já que eles estão presentes no ar e em tecidos, dentro de casa.

Subir escada pode aumentar expectativa de vida, diz estudo

Pesquisa feita na Suíça sugere que não usar elevador traz benefícios grandes à saúde.

Da BBC

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Um estudo feito por cientistas da Suíça afirma que subir de escada em vez de usar o elevador no trabalho pode aumentar a expectativa de vida.

Abandonar o uso de escadas e escadas-rolantes pode melhorar a condição física, diminuir a gordura corporal, reduzir o tamanho da cintura e diminuir a pressão sangüínea, afirma a pesquisa feita com 69 pessoas.

Isso representaria uma redução de 15% na chance de se morrer prematuramente de qualquer doença, afirma a equipe de cientistas do Hospital Universitário de Genebra.

Os resultados do estudo foram divulgados em uma conferência da Sociedade Européia de Cardiologia, na Alemanha.

'Pequeno, mas valioso'

Antes do estudo, os 69 participantes tinham um estilo de vida sedentário, com menos de duas horas de exercício ou esporte por semana. Eles também subiam menos de 10 degraus por dia.

Ao longo de 12 semanas, os voluntários, que eram empregados do hospital universitário, usaram exclusivamente as escadas em vez do elevador.

Em média, o número de degraus subidos pelas pessoas aumentou para 23.

Depois de três meses de testes, os resultados mostraram melhor capacidade pulmonar, pressão sangüínea e níveis de colesterol.

O peso, a gordura corporal e a circunferência da cintura também caíram, com a melhora da capacidade aeróbica.

Os cientistas afirmam que a combinação destes resultados representa uma redução de 15% nas chances de se morrer jovem.

"Isso sugere que subir escadas pode ter um impacto significante na saúde pública", afirma Philippe Meyer, cientista que liderou a pesquisa.

Para o consultor em cardiologia britânico Adam Timmis, que assistiu à apresentação do trabalho do hospital universitário suíço, o estudo é pequeno, "mas valioso, porque fornece uma forma prática para pessoas ocupadas melhorarem a sua capacidade de fazer exercícios".

"Apesar de a quantidade de exercício parecer pequena, os benefícios são claros na melhora da condição física e redução da gordura corporal e pressão sangüínea."

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Seres humanos já consumiam leite há 9.000 anos, afirma estudo

Pesquisa mostrou evidências do uso de laticínios na Europa Oriental e na Turquia.
Achado recua prática em cerca de dois milênios, de acordo com arqueólogos.
Da France Presse

Os seres humanos consumiam leite 7.000 anos antes de nossa era, ou seja, em uma época bem mais remota (dois milênios) do que pensávamos até agora, informou uma equipe internacional num estudo que será publicado na edição desta semana da revista britânica "Nature". Os pesquisadores, que examinaram mais de 2.200 fragmentos de cerâmica do Oriente Médio e dos Bálcãs, concluíram que, há mais de 6.500 anos antes de nossa era, o leite era tratado e conservado nessas regiões.

Ovinos, ovelhas e cabras eram criados desde o 8º milênio antes de nossa era, principalmente por sua lã e sua carne. Mas é a primeira vez que encontramos a prova de que o leite desses animais era consumido em uma data anterior ao 5º milênio antes de Jesus Cristo.

Inglaterra e Romênia

As provas mais antigas do consumo de leite haviam sido encontradas até agora na Inglaterra (início do 4º milênio antes de nossa era) e na Romênia (5.000 anos antes de Jesus Cristo).

Os novos resíduos orgânicos provenientes do leite, examinados pela equipe dirigida por Richard Evershed, da Universidade de Bristol (Reino Unido), mostraram que a criação de gado era mais comum nas regiões onde havia principalmente bovinos. Os pedaços de cerâmica estudados vieram principalmente do noroeste da Anatólia, da Grécia e da Ucrânia.

Fonte:G1.com.br

sexta-feira, 30 de maio de 2008

País pode ter 1ª linhagem 100% brasileira neste ano, diz cientista

Um dos poucos grupos de pesquisa do Brasil que utilizam embriões, o da professora Lygia da Veiga Pereira, da USP, estima que o país deve ter sua primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas 100% nacional já no final deste ano --ou seja, um grupo de células-tronco de um único embrião que consigam replicação in vitro.
"Estamos há quase dois anos neste trabalho. O importante não é tanto a linhagem, mas o estabelecimento da tecnologia no país. Assim, não vamos precisar importar."
Segundo ela, as primeiras linhagens de células-tronco embrionárias humanas foram estabelecidas nos Estados Unidos --em 1998.
A cientista comemora o aval às pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, concedido nesta quinta-feira (29) pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
"Achei ótima a decisão. É uma vitória, para deixarmos claro que o Brasil é um país moderno, não somos uma coisa de terceiro mundo", diz.
Lygia acompanhou a votação de ontem pela TV em seu laboratório na USP. "Agora mais grupos podem tomar coragem para mergulhar fundo na pesquisa com células humanas", disse. "Espero que a gente consiga agora atrair a iniciativa privada."
Julgamento
O STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou ontem (29) as pesquisas com células-tronco embrionárias no país. O Supremo rejeitou uma ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo 5º artigo da Lei de Biossegurança que permite a utilização, em pesquisas, dessas células fertilizadas in vitro e não utilizadas.
Seis ministros do tribunal votaram a favor das pesquisas. Outros cinco sugeriram mudanças na lei.
A ação foi proposta em 2005 pelo então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que defende que o embrião pode ser considerado vida humana. O STF não chegou a proibir as pesquisas com células-tronco embrionárias, mas muitos pesquisadores ficaram receosos em continuar com os estudos, em razão do impasse jurídico.
As células-tronco embrionárias são consideradas esperança de cura para algumas das doenças mais mortais, porque podem se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Entretanto, o método de sua obtenção é polêmico, porque a maioria das técnicas implementadas nessa área exigem a destruição do embrião.
Com a Folha Online e a Folha de S.Paulo, em Brasília
Opinião
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