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quinta-feira, 26 de março de 2009

Cientistas acompanham queda de asteroide e resgatam pedaços

Feito inédito foi feito por pesquisadores americanos e sudaneses.
Objeto foi descoberto por telescópio e caiu na Terra 19 horas depois.

Salvador Nogueira Do G1, em São Paulo


Peter Jennisken, da Nasa, e Muawia Shaddad, da Universidade de Khartoum, no Sudão, ambos ao centro, acompanham estudantes na caça aos meteoritos (Foto: Nasa)

No dia 6 de outubro de 2008, um pequeno asteróide foi detectado por um telescópio automatizado do Arizona, nos Estados Unidos. Até aí, ele era apenas mais um dos incontáveis asteroides que são descobertos todos os dias por sondagens astronômicas. A diferença é que o minúsculo bólido de 6 de outubro ia adentrar a atmosfera da Terra algumas horas depois -- e os cientistas estavam determinados a encontrar o que restasse dele no solo.

Satélites e observadores em terra acompanharam a trajetória do asteroide, que atravessou o ar como uma bola de fogo até que, a 37 km de altitude, explodiu. O que restasse dele estaria espalhado pelo deserto da Núbia, localizado entre o Egito e o Sudão.

Uma expedição internacional liderada por cientistas americanos e com participação de pesquisadores sudaneses foi conduzida no deserto em busca dos pedregulhos espaciais. Foram encontrados 47 meteoritos -- pedaços do asteróide original --, com massa total de quase 4 quilos.

"Como ele explodiu a 37 km de altitude, não era esperado que algum fragmento macroscópico sobrevivesse", afirmam os cientistas liderados por Peter Jenniskens, astrônomo da Nasa e do Seti Institute, na Califórnia. "Reportamos que uma busca dedicada ao longo da trajetória de aproximação recuperou 47 meteoritos."

Foto: Nasa

Traços da travessia do asteroide 2008 TC3 pela atmosfera terrestre, no Sudão (Foto: Nasa)

Com isso, os pesquisadores realizaram um feito inédito: pela primeira vez um asteroide foi detectado no espaço e acompanhado até sua colisão com a Terra, com a subsequente recuperação de pedaços que indicam minuciosamente sua composição. O resultado foi parar na capa da edição desta semana do periódico científico "Nature".

O feito equivale a conduzir uma missão de retorno de amostras de um asteroide, como a tentada recentemente pela sonda japonesa Hayabusa -- só que sem gastar fortunas com a decolagem e a espaçonave.

Normalmente, os asteroides são classificados de acordo com suas propriedades reflexivas -- ou seja, com a "cara" que eles têm no espaço. Mas, com as pedras em mãos, Jenniskens e sua equipe puderam identificar em detalhes a composição de um asteroide cuja classificação por observação astrônomica era conhecida. Um belo avanço.

Os cientistas apreciam a oportunidade de estudar asteroides e sua composição pois acredita-se que com isso seja possível abrir uma janela para a época em que os planetas do Sistema Solar estavam se formando. Os asteroides são pedregulhos que sobreviveram, mais ou menos inalterados, desde aquele período, 5 bilhões de anos atrás.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Bactérias escravizam vírus para fazer 'sexo' com outras espécies

Transferência de DNA acontece entre micróbios com parentesco distante.
Descoberta preocupa porque indica transferência de genes 'tóxicos'.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

Os cientistas sabiam há tempos que a promiscuidade domina o mundo das bactérias, mas ainda assim levaram um susto ao descobrir o quanto ela é disseminada. Com a ajuda de um tipo especial de vírus, os micróbios parecem ser capazes de transferir material genético -- em linhas gerais, algo muito parecido com sexo, em termos humanos -- para espécies que têm apenas parentesco distante com os "donos" desse DNA.

Foto: Reprodução

A bactéria Staphylococcus aureus, cujo material genético pode ir parar em outros micróbios (Foto: Reprodução)

A conclusão está num artigo na última edição da revista especializada americana "Science", e preocupa porque a promiscuidade unicelular poderia abrir caminho para a transferência de genes nem um pouco amigáveis aos humanos de bactéria para bactéria. É de se imaginar que trechos de DNA capazes de conferir resistência a antibióticos ou maior agressividade seriam passados de "mão em mão", pelas espécies bacterianas.

John Chen e Richard Novick, do Centro Médico da Universidade de Nova York, estudaram estudaram a função de leva-e-traz desempenhada pelos bacteriófagos, vírus que infectam bactérias. Já se conhecia a capacidade deles de levar certas frações de material genético de um indivíduo bacteriano para outro -- dentro da mesma espécie. O vírus retira pedaços de DNA dos cromossomos das bactérias, faz cópias deles e os leva para outro micróbio.

A dupla, porém, verificou que a Staphylococcus aureus, bactéria tristemente célebre por suas variedades resistentes a antibióticos e causadoras de infecção hospitalar, também é capaz de passar seu DNA para espécies muito distantes, como a Listeria monocytogenes. Os genes trocados não são nada inocentes, pois têm a ver com a produção de toxinas pelos microrganismos. Aliás, esse troca-troca parece ocorrer até no leite de vaca, o que poderia apresentar risco para os rebanhos bovinos.

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